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TRISTEZA E ALEGRIA
A semana começou com ares de luto para alguns e de festa para outros. O Brasil escolheu no fim de semana o político que vai comandar o país nos próximos 4 anos. Deu Lula, de novo. Mas esse texto não é sobre política, embora ela vá ser usada como exemplo da reflexão que vou fazer. Observe as duas fotos da publicação. A primeira é do dia 04 de outubro. Foi logo depois do fim do 1º turno. Lula, que imaginava levar a eleição no primeiro turno, não só viu seus planos frustrados como amargou ver Flávio Bolsonaro terminar na frente.
Naquela noite, visivelmente abatido ele conversou com os jornalistas. No palco, a imagem da derrota: poucos políticos, a maioria derrotada, ouviram a fala do presidente sem muita empolgação.
A segunda foto é da noite do último domingo. Lula eleito, também foi conversar com imprensa. Levou uma eternidade pra conseguir chegar até o palco, tamanho o número de pessoas que queriam cumprimenta-lo ou tirar uma foto. É visível que o número de pessoas atrás do presidente aumentou consideravelmente: duas, talvez três vezes mais e com animação capaz de fazer uma turbina girar.
Toda essa história pra gente refletir o que acontece nas nossas próprias vidas quando estamos por baixo, quando perdemos, quando não atingimos nossos objetivos. Fora aquelas pessoas mais próximas, a sensação é de que largaram nossa mão. Se não reagimos somos nocauteados pelo vazio.
Mas quando estamos no topo, depois de uma vitória, de uma consagração, às vezes aqueles que nos ajudaram nem conseguem chegar perto. Ficam impedidos de se aproximar pela grande quantidade de gente que também quer celebrar, dar tapinhas nas costas e disputar um lugar ao nosso lado. Nem que seja no braço.
No fim das contas, a derrota nos recolhe em um silêncio onde só nós mesmos podemos entrar, enquanto a vitória abre as portas para uma festa cheia de abraços e barulho. A ponte entre esse fracasso solitário e o triunfo barulhento é a nossa capacidade de encarar os erros, aprender com eles e continuar caminhando; uma transição dura que exige resiliência para entender que perder faz parte do processo, mas persistir é o que nos leva para a celebração compartilhada. Pense nisso.







